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O paradoxo da prevenção de doenças

Embora faça parte do senso comum que prevenir doenças é uma ação recomendável, é difícil de explicar por que as ações de prevenção não são prioritárias na saúde. Nos últimos 100-150 anos, os ganhos na expectativa de vida foram incomparavelmente maiores que nos últimos 25 mil a 40 mil anos. O crescimento econômico, o aprimoramento das práticas sanitárias, a melhoria das condições de moradia e alimentação e o controle das doenças infecciosas possibilitaram o que os epidemiologistas chamam de “transição epidemiológica” – o fato de as doenças não transmissíveis contribuírem com cerca de 2/3 das mortes no mundo.

Diversos fatores explicam os motivos da não adoção das práticas preventivas em grande escala nas sociedades modernas: a pouca visibilidade e apelo dramático e emocional das atividades preventivas, o longo intervalo entre a intervenção e os benefícios, a constatação de que geralmente quem financia as ações de prevenção não é a mesma pessoa que recebe os dividendos, as recomendações são inconsistentes e mudam com o tempo, os eventos passíveis de prevenção (e, portanto, evitáveis) acabam sendo aceitos como naturais e interesses comercias e crenças pessoais, religiosas ou culturais podem entrar em conflito com as recomendações de prevenção.

Quais estratégias poderiam ser usadas para superar esses obstáculos? Harvey Fineberg do Instituto de Medicina dos EUA sugere seis estratégias:

1. Criar incentivos financeiros para estimular os profissionais de saúde a incorporarem as recomendações de prevenção estabelecidas;
2. Remunerar (ou subsidiar) a população para aderir às práticas de prevenção;
3. Envolver os empregadores (patrões) na implantação de políticas de saúde preventivas nas empresas;
4. Diminuir o peso da contribuição pessoal (individual) na incorporação das práticas preventivas (p.ex., instalar air bags nos automóveis);
5. Implementar políticas públicas que estimulem as escolhas saudáveis (p.ex., abolir o fumo em locais públicos);
6. Usar múltiplos canais de mídia para educar, estimular e ressignificar mudanças positivas de hábitos.

Os profissionais de saúde não devem ter falsas expectativas de mudanças radicais de comportamento em curto período de tempo, uma vez que o sucesso das intervenções preventivas demanda longo prazo. Embora seja um “ótimo” produto, a prevenção é “difícil de vender”.

Que tal tornarmos essa venda mais fácil para um futuro melhor?

Pense nisso!

Dr. Ronaldo Silva é médico sanitarista do Grupo COI